A web paga pelo estado português

Ontem a propósito de uma discussão sobre o ensino/função pública registei-me no site da Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE) a fim de consultar a Bolsa de Recrutamento / Contratação de Escola.
Em poucos minutos consegui perceber a debilidade desta aplicação e aquilo de que muitos professores se queixam aquando dos concursos públicos para a carreira docente.

Bolsa de Recrutamento / Contratação de EscolaEstamos a falar de uma aplicação relativamente simples mas que apresenta uma forte debilidade na interacção com o utilizador.

À esquerda está representado o ecrã principal da aplicação onde podem comprovar a existência de um menu de navegação lateral.
Poderão ainda confirmar que, por omissão, após autenticação, o utilizador fica na “Página Principal” (destacado no menu com a cor verde).

Naturalmente para editar os meus “Dados Pessoais” (entrada no menu lateral, secção “Dados do Candidato”), carreguei sobre a inscrição correspondente o que não representou qualquer alteração na página. Este comportamento é assumido em qualquer opção que se pretenda activar por este processo (normal em qualquer navegador/página/aplicação web).

Consciente de que algo de estranho se passava com a aplicação, descobri que a acção do rato (click) só está disponível para a área branca imediatamente a seguir à inscrição (neste caso imediatamente a seguir ao ‘s’ da palavra ‘Pessoais’).

Edição dados pessoaisCom acesso a uma nova interface (com respectiva identificação no menu lateral), e não tendo feito qualquer alteração aos dados pessoais, pretendia voltar para a página inicial de onde tinha vindo.
Naturalmente carreguei no botão ‘voltar’ (‘back’) do meu navegador ao que se notou um ‘salto’ para a página inicial, como pretendido, seguido imediatamente de novo redireccionamento para a interface de edição de dados pessoais.

Perante este (estranho) comportamento, desloquei a página na vertical e encontrei dois botões: “Gravar” e “Sair”, conforme imagem abaixo que, também eles, só reagem quando clicados precisamente sobre o ícone à direita.

Botões Gravar e Sair

Não tendo feito qualquer alteração, naturalmente não pretendia “Gravar”, pelo que, não podendo usar a funcionalidade ‘voltar’ (‘back’) do meu navegador, assumi que “Sair” me conduziria para a página inicial da aplicação.
Mais uma surpresa: “Sair” termina a sessão na aplicação, exigindo nova autenticação para prosseguir. Presumo portanto que para voltar à página inicial só mesmo fazendo pontaria na área branca a seguir à inscrição “Página Inicial” no menu lateral.

Outras debilidades foram encontradas ao longo da utilização desta aplicação, no entanto, não tendo como objectivo uma análise aprofundada da mesma, termino esta parte deixando a indicação da entidade responsável pelo desenvolvimento da mesma: ATX Software.

Hoje, em perseguição do sonho, fui até ao site do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI).

Por forma a ser mais breve do que anteriormente ficam em sequência três imagens: a página principal, Notícias e Temas A – Z.


Homepage - IAPMEINotícias - IAPMEITemas A-Z - IAPMEI

Nestes casos é importante perceber que a alteração da interface (estes são três exemplo, mas existem mais) condiciona a fiabilidade/confiança do utilizador no serviço.

Muitas vezes é colocada em causa a autenticidade do site porque se perde a identidade da marca/entidade simplesmente entre duas secções do site.

O website do IAPMEI é um trabalho da Innovagency, S.A. com webdesign de Pedro Crespo conforme ficha técnica.

Estas notas têm como principal fundamento chamar a atenção para dois factos:

  1. Quando adjudicamos um trabalho deste tipo a uma empresa, após entrega do mesmo, deve existir um período de avaliação/validação.
    O trabalho só deverá ser dado como concluído quando todos os requisitos do caderno de encargos tiverem sido implementados e se encontrarem funcionais.
    Havendo um contrato, o cliente pode sempre exercer o seu direito de querer ver os problemas (chamem-lhes bugs se quiserem) resolvidos, sendo que a extrapolação dos prazos representa sempre uma penalização para quem não os cumpre (neste caso o fornecedor).
  2. Em portugal existem empresas cujos trabalhos primam pela excelência. Nem sempre são as empresas do sobrinho do ministro, mas uma vez que é o dinheiro do contribuinte que paga estes investimentos, por favor apliquem-no melhor.

4 Comments

  1. Exemplos clássicos de má (ou muito má) usabilidade nos websites. Também já me deparei com websites que apenas funcionavam no Internet Explorer :)

    Mas é verdade… muitas vezes maus websites (e tuneis, edificios, estradas, etc) são resultado de lobbies…

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  2. Quais os browsers que a aplicação da DGRHE foi testada? Que eu saiba o Safari não foi um deles. Está lá claro que um determinado numero de browsers são suportados, logo, diria eu, o uso de outro browser é de responsabilidade de quem o usa. Eu sempre usei o Firefox, e coloegas meus também o IE sem problemas. Muito gosta o português de dizer mal!

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  3. @Pedro Coimbra: Vou só responder-te a esta afirmação “Muito gosta o português de dizer mal!”

    Sabes que a nós, profissionais da área de desenvolvimento de software a trabalhar em Portugal, exigem-nos que as aplicações/websites sejam Cross-Browser (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cross-browser) porque isto liberta os utilizadores de monopólios de determinado fabricante de software como Sistemas Operativos e/ou browsers.

    Quando se contrata o serviço de desenvolvimento a uma empresa estrangeira, e só por esse facto, qualquer que seja o produto final é aceitável.
    Com o dinheiro dos meus impostos exijo que o produto final funcione no browser que uso (gratuito por sinal!).
    Cabe-te a ti definir a tua posição e o que achas aceitável.

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  4. Pois, as finanças idem aspas, os gajos para poder pedir uma certidão tem de ser pelo IE, porque ao inserir as datas no site, o JS só funciona para IE, agora já alguém faz o favor de explicar-me se fazer uma função para validar a data em JS e cross-browser é difícil.

    Pah, inacreditável.

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